E agora, que livro escolher?

Neste texto tentamos dar algumas pistas sobre a difícil e delicada arte de fazer chegar o livro certo ao leitor certo. Como acertar na mouche? Como surpreender o leitor e, em simultâneo, ir ao encontro das suas vontades (por vezes, vontades que nem sequer conhecia)? Venha daí.


Ninguém disse que era fácil
Já todos passámos pela situação de ter escolher de um livro para alguém.
Se é um miúdo, assaltam-nos dúvidas: gostará ele de ler? Será que prefere fantasia ou realidade? Achará isto muito infantil? 
Se a escolha for para um adulto, a não ser que o conheçamos minimamente, não nos atrevemos com o mesmo à vontade. Talvez porque, no caso dos miúdos, nos sentimos protegidos por uma espécie de memória comum (a nossa infância e a infância deles) que se mistura com todas as ideias que entretanto fomos construindo sobre o que deve ser um bom livro.
De qualquer modo, para adultos ou crianças a escolha é difícil. Muito difícil.
O que fazer então? 


Há uma síndrome por aí (e já circula na comunidade)
Há muitos países, e não são exceção aqueles que consideramos mais “avançados”, em que os livros ditos para crianças sofrem de uma síndrome de sobreclassificação. Tal como o nome indica, esta síndrome manifesta-se pela necessidade levada ao extremo de classificar os livros ditos infantis. Traduz-se, por exemplo, na arrumação dos catálogos ou prateleiras em categorias etárias muito apertadas (livros para bebés dos 6-9 meses; livros para 4-5 anos), na classificação dos livros por géneros (para meninos ou meninas) ou noutras classificações ainda mais estreitas que nascem das ideias pré-concebidas que todos temos (“livros para meninas de 4 anos que gostam de fadas” e outras do mesmo tipo). 



Antes de prosseguirmos, é importante dizer que esta síndrome não tem origem em agentes patogénicos, mas antes em pessoas bem intencionadas como editores, livreiros ou mediadores que, sabendo como a experiência de ler pode ser transformadora, usam este recurso para fazer chegar “o livro certo ao leitor certo” (arte difícil).


E é perigoso, doutor?
É claro que, apesar de benigno, esta síndrome traz consigo alguns perigos.
O excesso de categorização pode afastar leitores que se aproximariam de um livro (exemplo: menina de 7 anos que se sente atraída por um livro classificado como “para bebés de 3 anos”); pode também dar lugar a desencontros escusados (exemplos: adultos tristes que pensam “os livros ilustrados são só para crianças” ou “ah, é um livro juvenil não devo gostar”); e pode ainda impedir aquele fenómeno bonito que é o “acaso”, que sucede quando, por razões misteriosas, vamos dar a um lugar que não esperávamos. Neste caso, um livro.

Para concluir: parece-nos que o que dita a vontade ou a necessidade de um livro quase nunca é a nossa idade, o nosso género ou um gosto momentâneo, mas antes o lugar da vida em que nos encontramos e o degrau da escada de leitor até onde já chegámos. 
É por tudo isto que no Planeta Tangerina evitamos o excesso de classificações nos livros e gostamos de dizer que quando “um livro sai, atiramo-lo ao ar; os leitores que o agarrarem são os leitores certos para ele”.



Mesmo assim preciso de uma ajuda. (Dão ou não dão?)
Ainda assim, sabemos que as pessoas precisam de uma ajuda. 
E, portanto, decidimos olhar para o nosso catálogo e tentar dar algumas pistas. Em primeiro lugar, é importante saber (mesmo que por alto) a idade da criança ou, no caso de um adulto, conhecer minimamente a sua experiência como leitor. Depois tentar adivinhar, intuir ou investigar que tipo de temas, universos ou perguntas o poderão motivar mais.

Escolha uma destas duas perguntas e vá andando. 
Se a pergunta não o conduzir até um lugar satisfatório, volte para trás e tente a outra. Para melhores resultados, cruze as respostas de ambas as perguntas. Divirta-se.


Que idade tem o miúdo?


Que áreas/ temas/ universos podem fazer sentido?





Que idade tem o miúdo?

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Tem muito por onde escolher no catálogo do Planeta Tangerina. Espreite a Coleção minimicro (para leitores mais pequeninos) ou ainda a nossa Coleção de cantos redondos (para leitores que gostam de jogar, brincar e interagir com os livros). Ah! E não esqueça os Álbuns ilustrados que são para todas as idades.

Sugestões:
Assim ou assado
Banana
Batata chaca chaca
Conta-quilómetros
Eu sou, eu sei
Livro clap
Nham
Obrigado a todos
O gnu e o texugo
O mundo ao contrário
O que há
Pê de pai
Telefone sem fio
Todos fazemos tudo

Espreite os Álbuns ilustrados (que se dirigem a todas as idades) ou a nossa Coleção de cantos redondos. Outra sugestão: os nossos Projetos especiais, com os livros “Lá fora” (guia para descobrir a natureza) ou “Atlas das viagens e dos exploradores” (que conta as viagens de monges, naturalistas e aventureiros de todos os tempos e lugares).

Sugestões:
A bola amarela
A orquestra
A rainha do norte
Atlas das viagens e dos exploradores
Cem sementes que voaram
Daqui ninguém passa
Mana
Não é nada difícil
O dicionário do menino Andersen
O livro dos quintais
Para que serve?
Quando eu nasci
Tantos animais e outras lengalengas de contar

Para leitores mais experientes, recomendamos a nossa Coleção Dois passos e um salto, com livros que vão fazer gostar de ler até os mais zangados com a leitura. Dentro dos Projetos especiais, sugerimos, por exemplo, os livros “Cá dentro, guia para descobrir o cérebro” ou “Plasticus maritimus” (sobre o problema do plástico nos oceanos). Ah! E os Álbuns ilustrados, claro. E todos os outros.

Sugestões:
Aqui é um bom lugar
Atlas das viagens e dos exploradores
Cá dentro, guia para descobrir o cérebro
Desenho livre
Hei, Big Bang!
Lá fora, guia para descobrir a natureza
O caderno vermelho da rapariga karateca
Metade, metade
Plasticus maritimus
Um livro para todos os dias

Espreite os Projetos especiais que incluem livros de não-ficção sobre natureza, cérebro, viagens etc. Outra proposta: todos os livros da Coleção Dois passos e um salto que incluem novelas gráficas e novelas juvenis (sempre com muitas ilustrações). Para maiores de 14 anos, recomendamos os livros “Mary John” e “Finalmente o verão”. Em breve teremos mais novidades. Ah! E os Álbuns ilustrados, claro. E todos os outros.

Sugestões:
A época das rosas
Aqui é um bom lugar
Atlas das viagens e dos exploradores
Cá dentro, guia para descobrir o cérebro
Desvio
Finalmente o verão
Lá fora, guia para descobrir a natureza
Mary John
Plasticus maritimus
Supergigante
Um ano inteiro
Um livro para todos os dias


Que áreas/ temas/ universos podem fazer sentido?

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Crédito das fotos (por ordem):
©Isabel Minhós Martins, ©Maria Kowalski, , ©Carolina Cordeiro, ©Madalena Matoso, ©Sara Amado