Making of do livro “O Gnu e o Texugo” (Parte 2)

Como nasceram os desenhos

(por Madalena Matoso, ao som da playlist do Vento)


Playlist do Vento no Youtube.

Recebemos o texto por email. Quando li as palavras “texugo”, “gnu” e “pinheirinho”, apeteceu-me começar logo a desenhar.

Eu sempre gostei muito de histórias com animais e também de desenhar animais, mas ilustrei poucos livros em que os animais fossem as personagens principais.

Neste livro comecei por fazer desenhos de uma maneira mais livre e desligada do texto. 

Primeiro, para encontrar as personagens. A seguir, para encontrar um tipo de desenho e composição. Só depois comecei a avançar para desenhos mais acabados.

Uma das dúvidas iniciais era como concretizar esta ideia da Ana Pessoa de ter duas histórias escritas exatamente com as mesmas frases, em que as histórias se tornam diferentes porque as frases surgem num ordem diferente em cada história. Uma das hipóteses era termos uma história em que as frases estavam numeradas e que se podiam ler seguindo a sequência das páginas ou seguindo os números. Mas acontece que essa ideia já tinha sido usada por Júlio Cortázar (um escritor argentino), no livro “Jogo do Mundo /Rayuela”, e não quisemos seguir o mesmo esquema. Outra das hipóteses era termos um livro que se lia em duas direções, mas também já existiam alguns livros assim (inclusive no catálogo do Planeta Tangerina).

Acabámos por escolher ter as duas versões da história: a “história certa” e a “história baralhada” (cada um decide qual é qual).

Fui fazendo alguns desenhos que tinham de ter este papel muito engraçado de funcionar nas duas histórias. Quando se diz, “Era um cabeça de vento, vai daí foi pelos ares”, numa das histórias fala-se do texugo; na outra, do gnu.

No início, tínhamos um livro em que os desenhos estavam lado-a-lado (cada um com a frase em baixo). Depois, chegámos à conclusão de que podíamos ter numa das páginas, a frase; na outra, o desenho. E assim ficava tudo mais arejado. Como essa opção fazia com que o livro ficasse com muitas páginas, diminuímos o formato, para que a produção não ficasse muito cara e também para que fosse um livro pequeno e rápido. A ideia foi sempre ter um livro muito simples e nada pomposo.

Estes são alguns desenhos que foram ficando pelo caminho (há muitos, sempre!)

O vento está sempre presente nestes desenhos. O vento é invisível mas todos conseguimos ver as coisas a mudarem com o vento (o que não é novidade nenhuma, mas podemos ficar a pensar nisso durante muito tempo).

Na segunda história, o livro voou com o vento e as páginas ficaram todas baralhadas mas quem as juntou fez um esforço para que tivessem algum sentido. Falhou ligeiramente. Alguns desenhos estão de pernas para o ar, por exemplo.

Foi muito divertido fazer estes desenhos e pensar como mudam por estar ao lado de uma frase diferente, numa sequência ou numa orientação diferente.

Os desenhos são iguais mas, afinal, já não são os mesmos.

Carta do nosso querido revisor Carlos Babo.

Saída de gráfica.


Esta é a segunda parte do Making Of do livro “O Gnu e o Texugo“. Descubram como nasceu o texto na primeira parte, por Ana Pessoa.