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Madalena Matoso

Ilustradora · designer gráfica

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Quando era pequena podia ficar horas a olhar para uma imagem. Lembra-se de uma em particular: um anúncio em que se via uma casa de bonecas em forma de arca e uma menina que abria a tampa e olhava lá para dentro. Como a imagem era vista de dentro da arca, parecia-lhe que estava lá dentro e que a menina olhava para ela (numa estranha simetria).


Em casa da avó materna via os álbuns de fotografias como se fossem livros. E os livros antigos como se fossem preciosidades. Gostava tanto deles que tentou restaurar um que já tinha as páginas soltas, com a ajuda de fita-cola e cola de madeira (e, incrível, ninguém lhe ralhou).

Quando andava na 4.ª classe foram parar à sua turma duas irmãs, a Anabela e a Miriam, que eram apaixonadas pelo Michael Jackson e que lhe gravaram algumas cassetes. Foi uma revolução e ficou completamente viciada.

Aos 12 anos, o namorado da irmã mais velha apresentou-lhe os New Order e o Neil Young (pontas do iceberg que, aos poucos, começou a descobrir sozinha).
No liceu conheceu o Bernardo e a Isabel. Começaram nessa altura a fazer trabalhos de grupo e nunca mais pararam.

Da faculdade de Belas-Artes de Lisboa lembra o pátio, muito cinema, as festas, a pin-hole, as aulas de estética e as horas passadas na reprografia (as fotocópias a preto e branco como matéria-prima).

A seguir ao curso, foi para Barcelona, onde teve a oportunidade de trabalhar em tipografia (com tipos de chumbo) e caligrafia.
Quando se juntou à Isabel, ao João e ao Bernardo para começar o Planeta Tangerina, teve medo... mas hoje já não.

Em 2008, ganhou o Prémio Nacional de Ilustração.