5 perguntas a Kotone Utsunomiya

Kotone Utsunomiya venceu a última edição do Prémio Serpa e é a autora mais recente a entrar no nosso catálogo.
No final de maio esteve em Portugal para o lançamento do seu livro, “O ladrão de pêssegos”, na Festa do Livro de Serpa.
Falámos com a autora sobre a sua passagem por Portugal e de que formas isso a inspirou.

Olá Kotone,
Agora que estás de volta à tua base, em Tóquio, gostávamos que partilhasses um bocadinho da tua experiência em Portugal connosco e com os leitores que querem te querem conhecer melhor (e ao “ladrão de pêssegos”).

1. Claro que a nossa primeira pergunta tem de ser sobre comida (em bom jeito português), o que é que gostaste mais de comer enquanto estiveste por cá?

Marisco! Amêijoas à Bulhão Pato foi provavelmente o prato que mais gostei. Especialmente a parte de molhar as torradas com manteiga naquele molho delicioso!
Também adorei os salgados que encontrei pelos cafés de Lisboa. Foi muito divertido comê-los sem saber o que levava lá dentro!
Havia em várias formas, e parecia que cada forma trazia um recheio diferente. A minha preferida era a de meia-lua, com camarão cremoso. Era incrível!
E não me posso esquecer de dizer o quanto gostei de ir almoçar no quintal do Planeta Tangerina — adorei a comida toda. Obrigada!

2. Apesar de Portugal até ser um país seguro, por acaso cruzaste-te com algum ladrão?

Infelizmente, sim.

Desta vez, viajei com os meus pais. Estávamos a passear perto da Sé de Lisboa quando 3 homens puseram-se muito perto detrás do meu pai. De repente, ele virou-se e perguntou o que estavam a fazer. Eles responderam: “A sua mochila está aberta!” e afastaram-se rapidamente. Inicialmente, achava que eles estavam mesmo só a avisar que alguém lhe tinha roubado a carteira, mas afinal eram eles que estavam a tentar roubar-lhe! O meu pai tinha reparado que um cobria a mochila com um lenço enquanto o outro tentava abri-la.
Felizmente, deu-se conta antes de que pudessem tirar alguma coisa. Teria sido bastante irónico se tivéssemos sido roubados enquanto viajávamos para celebrar o meu livro novo, “O ladrão de pêssegos”, ahah!
De facto, a ideia para o livro veio de experiências como esta, que tive enquanto viajava na Europa.

3. Porque é que o ladrão de pêssegos da tua história usa um lenço verde na cabeça?

É uma representação clássica de um ladrão no Japão, na verdade.
Mesmo só de olhar para a capa, um japonês que não soubesse português entenderia que o livro fala de um ladrão.
O furoshiki (lenço) verde era algo muito comum nas casas do período Edo para frente. Os ladrões eram muitas vezes representados usando o furoshiki para carregar o que tinham roubado.
Há muito que a imagem do ladrão com um lenço na cabeça e a levar um furoshiki faz parte da cultura popular japonesa, aparecendo nas performances Kabuki, e também em mangá e desenhos animados.
Hoje em dia é um estereótipo cultural familiar, mais do que um retrato realista dos ladrões.

4. Qual foi o souvenir mais estranho que levaste de Portugal?

Não sei se são feitos em Portugal ou não, mas na Feira da Ladra encontrei uns velhos isqueiros que já não funcionam.
Havia de todos os tipos — em forma de frutas, animais, e até de personagens de desenhos animados. Mas os que eu comprei eram de pêssegos!
Provavelmente pertenciam ao ladrão de pêssegos antes, porque é uma feira de ladras e ladrões, certo?! Ahahah.
Mas atenção, eu paguei o isqueiro!

5. Sabemos que esta é a tua segunda vez a visitar Portugal, e que a primeira te inspirou a criar “O ladrão de pêssegos”, achas que desta vez também saíste daqui com material para mais uma história?

A minha nova ideia não veio durante a segunda viagem para Portugal, mas sim quando cheguei de volta ao Japão.
Japão e Portugal partilham uma longa história, e Portugal deixou a sua marca na cultura japonesa de várias maneiras. Uma figura do imaginário japonês tira o seu nome da frase “Que será, será…” — pareceu-me interessante explorar isso num livro.
Mas por favor, não me roubem a ideia!

↦ Podem ler mais sobre a Kotone na sua página de autora.